Na manhã seguinte, Célia acordou disposta a provar que já não precisava de ninguém. Quando entrei na cozinha, encontrei minha mãe de pé diante do fogão, segurando uma colher de pau enquanto Denise tentava convencê-la a voltar para a cadeira. A discussão parecia antiga, embora a cirurgia tivesse acontecido poucos dias antes. Dona Marlene assistia a tudo com uma xícara de café nas mãos e nenhuma intenção de ajudar, porque, segundo ela, certos conselhos só funcionavam depois que a pessoa cansava de não ouvi-los.— A senhora enlouqueceu? — perguntei, aproximando-me para desligar o fogo. — O médico mandou evitar esforço.— Mexer uma panela não é esforço.— Para quem está com pontos, até espirrar pode ser esforço.Célia soltou a colher sobre a pia e voltou para a mesa reclamando que, naquela casa, já não tinha autoridade sobre nada. Rafael apareceu no corredor logo depois, guiado pelo barulho da discussão, ainda com a camisa parcialmente aberta e o cabe
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