Dominic BellandiMilão despertava devagar sob um céu cinza e pesado.Lá embaixo, a cidade começava a ganhar vida entre buzinas distantes, carros escuros e pessoas correndo atrás de rotinas que, há muitos anos, deixaram de fazer sentido para mim.Do alto da cobertura, observei o movimento em silêncio enquanto segurava uma xícara de café ainda quente. O reflexo no vidro devolvia parte da minha imagem.Terno escuro, postura rígida e a barba começando a perder o alinhamento impecável que eu costumava manter.Precisava apará-la ainda hoje, passei os dedos pela mandíbula por um instante antes de voltar a atenção para a cidade. Milão era diferente da Sicília, mais moderna, mais fria e igualmente funcional.A Sicília carregava as raízes da família Bellandi, o peso do sobrenome, nossas tradições e o sangue derramado por aliados e inimigos ao longo de gerações. Milão, por outro lado, havia expandido meu império nos últimos dois anos.Tudo o que sustentava a organização passava, de alguma forma,
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