Alina MontserratAbri os olhos com um incômodo estranho, como se alguém estivesse cochichando longe demais para eu entender. A luz atravessou direto, forte, ardendo, e tive a sensação irritante de ter areia grudada por dentro das pálpebras.Demorei alguns segundos pra focar. Mesmo assim, tentei me levantar rápido. Péssima ideia. Tudo girou, o estômago embrulhou e precisei me segurar no colchão para não cair de volta. Fiquei ali um instante, esperando passar, tentando entender onde eu estava.Foi quando senti algo preso no braço. Virei e dei de cara com o acesso ligado a bolsa de soro ao lado da cama.— Ah… sério?A voz saiu baixa, mais irritada do que surpresa. Passei os olhos pelo quarto. A luz entrava pela janela panorâmica, mais suave agora…mostrando um final de tarde. Sinal que eu tinha apagado por horas.Meu corpo inteiro doía. Não era uma dor só; eram várias, espalhadas, como se cada parte estivesse reclamando por conta própria. Desci o olhar até os pés e me arrependi na hor
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