— Quando o perfume passa… a vergonha fica?A pergunta de Alessandra entrou no meu ouvido e ficou lá, parada, como uma coisa sem coragem de cair. Eu podia ter desligado. Parte de mim queria. A parte rancorosa, cansada, humilhada, que ainda lembrava do celular de Leônidas plantado na minha bolsa, dos olhares na operação, das fofocas que ela ajudou a alimentar, da forma como ela me tratou quando achou que Mauro tinha virado prêmio perdido.Mas havia outra parte. A parte que tinha visto Alessandra no laboratório, os olhos molhados, o corpo respondendo ao Relux como se desejo fosse obediência. E essa parte não conseguiu fingir que não ouviu.— Fica — respondi.Do outro lado, ela ficou quieta.Mauro se aproximou, tenso. Eu vi no rosto dele que queria arrancar o celular da minha mão, mas não fez. Talvez porque estivesse aprendendo. Talvez porque soubesse que, se tentasse mandar em mim naquele momento, eu ia mandar ele para o inferno com passagem
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