— Vim entregar Nathalia Monte.A frase saiu da televisão com uma clareza cruel.Por alguns segundos, eu não consegui respirar direito. Não porque acreditasse de imediato. O papel escondido na minha pasta parecia queimar contra meus dedos: “Não acredita em nada que eu disser hoje.” Eu lembrava. Eu tinha lido. Eu tinha entendido. Mesmo assim, ouvir Mauro dizer aquilo, parado diante do galpão da Vértice, com as mãos erguidas e homens de segurança apontando lanternas para ele, foi como levar um soco de dentro para fora.Jeremias me observava em vez de olhar para a tela. Claro. Para ele, o espetáculo nunca era o que acontecia, mas o que quebrava na cara de quem assistia.— Ainda acha que ele está protegendo você? — perguntou.A vontade de responder foi imediata, mas segurei. Parte de mim queria dizer que sim, que Mauro tinha me avisado, que aquilo era encenação, que nenhum homem que me tocou daquele jeito me entregaria tão fácil. Outra parte, mais cansada e menos romântica, sussurrou que t
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