A cadeira de Helena estava vazia.Foi isso que me deu medo de verdade. Não a ameaça, não a seringa, não a maleta com meu nome, não Mauro diante da matriz. A ausência. Aquele quarto claro sem ela, a janela redonda no fundo, o cobertor caído no chão e a câmera ligeiramente torta, como se alguém tivesse removido uma mulher doente com pressa demais para arrumar o cenário.Jeremias esqueceu a plateia.— Localizem o transporte — ordenou.A voz dele saiu diferente. Sem perfume, sem verniz, sem aquele prazer de controlar o tempo dos outros. Era comando puro, quase pânico. Beatriz percebeu, Larissa percebeu, eu percebi. E percebi outra coisa também: por mais monstruoso que Jeremias fosse, Helena viva era uma variável que nem ele queria perder.— Agora o senhor se importa? — perguntei.Ele me lançou um olhar que teria me calado duas semanas antes. Agora, não.— Você não faz ideia do que Marisa pode fazer com ela.— Tenho imaginação. Vocês treinaram bem.Larissa voltou ao computador.— Tem sinal
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