Helena estava viva na tela.Ou parecia viva. Ou tinha sido filmada viva em algum momento próximo demais para continuar sendo apenas lembrança. A cabeça baixa, os cabelos escuros presos de qualquer jeito, os ombros frágeis dentro de uma roupa clara demais para aquele quarto. A janela redonda atrás dela confirmava o que Bianca tinha dito. Hospital antigo, clínica, cativeiro com aparência de cuidado.Mauro, na outra câmera, não se mexeu. Ele estava diante da matriz, a poucos passos do cilindro metálico, enquanto a voz feminina repetia a ameaça com uma calma que me dava náusea.— Toque na matriz e ela recebe a dose. Afaste-se da matriz e Nathalia será trazida.Era uma escolha feita para destruir qualquer resposta. Se Mauro tocasse, podia condenar Helena. Se não tocasse, me colocavam no centro da armadilha. Era perverso demais até para parecer improvisado. E, justamente por isso, comecei a duvidar.Jeremias era cruel, mas gostava de controle. Aquilo ali não parecia controle. Parecia alguém
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