ValentinaO carro avançou pela propriedade, e a mansão apareceu aos poucos, surgindo da névoa como se tivesse sido construída pela própria terra, pedra escura, janelas altas, telhado antigo, uma beleza sombria que não tentava acolher ninguém. A casa não parecia abandonada, mas também não parecia habitada do jeito comum. Havia luzes acesas em algumas janelas, fumaça saindo de uma chaminé distante e uma sensação pesada ao redor, como se aquele lugar guardasse segredos demais dentro das paredes.Quando o carro parou, fiquei alguns segundos sem me mover.O motorista saiu, retirou minha mala do porta-malas e a colocou ao meu lado.— O senhor O’Rourke foi avisado da sua chegada.A voz dele me surpreendeu, grave, impessoal, como se cada palavra tivesse sido escolhida para não entregar nada.— Obrigada.Ele apenas inclinou a cabeça.Fiquei sozinha diante da mansão.O vento soprou mais forte, trazendo cheiro de terra molhada, madeira antiga e algo selvagem que não consegui identificar. Meu cor
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