DAMIÃO GUERRA Depois que entramos no carro, Dulce mal conseguiu manter os olhos abertos. O sedativo que havia recebido no hospital ainda fazia efeito, e eu percebia isso em cada palavra arrastada, em cada piscada demorada. Ela tentou permanecer acordada. — Damião... Sua voz saiu baixinha. Olhei para ela. — Hum? — Henry... Sorri de leve. — Está em casa. Está bem. Ela soltou um suspiro de alívio. — Que bom... Segundos depois, sua cabeça começou a pender para o lado. Antes que batesse no vidro da janela, puxei delicadamente seu corpo para mais perto. Ela veio sem resistência alguma. A cabeça repousou sobre meu peito. Seu braço bom envolveu distraidamente minha cintura. Era como se seu corpo soubesse exatamente onde queria estar. Acariciei seus cabelos devagar. — Dorme, pequena... Ela nem respondeu. Poucos segundos depois, sua respiração já estava profunda. Dormindo, completamente entregue. Baixei os olhos para seu rosto e mesmo com pequenos arranhões espalhados pela
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