DAMIÃO GUERRA Eu considerei não ir. Quando vi a mensagem de Dário Garcia no celular, minha primeira reação foi ignorar. Apagar. Bloquear o número. Seguir com a minha vida. Principalmente porque eu não tinha a menor intenção de trazer aquele sujeito de volta para a mente de Dulce. Se dependesse de mim, ela nunca mais lembraria que ele existiu. Mas havia momentos em que era melhor encarar determinados problemas de frente. E eu tinha a impressão de que aquela conversa precisava acontecer para que certas coisas fossem ditas uma única vez. Definitivamente. Estacionei meu carro diante do bar reservado que ele havia enviado na localização. O lugar era discreto, sofisticado e silencioso. Luzes baixas, música ambiente e um balcão de mármore escuro que atravessava boa parte do salão. Assim que entrei, encontrei Dário sentado em um dos bancos altos do balcão, com a gravata frouxa , a barba por fazer , os ombros caídos. E uma expressão de derrota que quase chegava a ser constrangedora. A
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