Hoje é o grande dia. Finalmente. Irei conhecer pessoalmente essa tal “interesseira”, como eu mesma a nomeei. Quero olhá-la nos olhos, cara a cara, e mostrar que aqui, na minha faculdade, na minha cidade, ela não vai conseguir nada do que pensa. Vou fazer da vida dela um verdadeiro inferno: provocar, desafiar, testar, até que ela mostre quem realmente é. — Bom dia! — falo alto, animada, com um sorriso largo no rosto, ao me sentar à mesa do café.Meus pais me olham surpresos, parados com as xícaras na mão. É raro, quase impossível, me ver assim: sempre acordo de mau humor, emburrada, principalmente para ir à aula. Hoje, porém, é diferente.— Bom dia, filha — minha mãe responde, com aquele jeito doce e ingênuo de sempre. Tem horas que penso que sou adotada, de verdade. Não me encaixo nessa família: eu sou esperta, perspicaz, observadora… eles são muito lentos, vivem no mundo da lua, preocupados só com aparências. — Vejo que está muito animada. Aconteceu algo importante?— Não… mas vai a
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