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Capítulo 2: Jogos, Segredos e uma Paixão que Nasce

Bom, acredito que não preciso me apresentar muito — vocês já sabem um pouco sobre mim, e o que ainda não sabem… tenho certeza absoluta que vão descobrir em breve. Sou assim: impulsiva, intensa, gosto de desafios, de testar limites e, acima de tudo, odeio ser contrariada ou receber ordens. Tenho dezoito anos, dinheiro de sobra, tudo o que qualquer garota poderia querer — e o que eu mais desejo é curtir a vida, ser livre, fazer o que bem entender. Mas, infelizmente, o meu querido “papaizinho”, com toda a sua arrogância, poder e jeito controlador, está me fazendo passar por coisas que não suporto nem um pouco.

Sempre sonhei em ser médica, desde criança. Admirava como os profissionais da saúde salvam vidas, como usam o conhecimento para ajudar o próximo, e eu queria isso para mim. Mas ele nunca aceitou. Segundo ele, “isso não é coisa para filha minha”, “mulher da nossa família não trabalha fora, não estuda para exercer profissões assim”. Na sua cabeça, o meu único destino é casar com um homem rico, escolhido por ele, ajudar nos negócios da família e ser apenas um enfeite, mais uma peça no seu império. Eu disse, na cara dura, que jamais faria isso. Ele, para me punir, bloqueou todos os meus cartões, cortou qualquer mesada e me deixou sem recurso nenhum, como se eu fosse uma criança birrenta.

Não liguei. Sempre me virei muito bem sozinha, não preciso do dinheiro dele para nada. Comecei a trabalhar numa pequena lanchonete no centro da cidade, escondida de todos. Foi cansativo, diferente de tudo o que eu conhecia, mas eu gostava: era o meu esforço, o meu ganho, a minha liberdade. Tive que sair alguns meses depois, não por vontade própria, mas porque descobri que ele iria, com um simples telefonema, levar o estabelecimento à falência — inventar dívidas, problemas legais, tudo para me castigar. Os donos eram pessoas maravilhosas, humildes, que me trataram como filha, e eu não podia deixá-los sofrer por minha causa. Prometi, ali mesmo, olhando para o céu, que iria me vingar. E vou. De um jeito ou de outro, farei ele pagar por cada lágrima, cada ordem, cada vez que tentou me calar.

Mudei de estratégia. Agora, me faço de boa filha, de menina obediente, de quem finalmente entendeu “o seu lugar”. Vou cumprir o que ele tanto quer: estudar aqui, na faculdade que ele controla, trabalhar para ele, sorrir quando ele fala, concordar com tudo. Mas ele não conhece a filha que criou: na primeira oportunidade, vou levar todo o seu império, todo o seu poder, tudo o que ele construiu, direto à ruína. Farei ele perder tudo, da mesma forma que tentou tirar tudo de mim.

E sobre casamento? Já deixei bem claro, em mais de uma discussão feia, que isso nunca vai acontecer. Bom… só se, um dia, eu encontrar uma mulher realmente à minha altura: inteligente, forte, atraente, que me desafie e não se curve a ninguém. Coisa muito difícil de encontrar, convenhamos. E sim, para ele, essa é uma questão: não aceita, nunca aceitou ter uma filha lésbica. Diz que é vergonha, que mancha o nome da família. Mas a verdade? Não ligo nem um pouco para a sua opinião, nem para o que a sociedade pensa. Eu sou assim, e pronto.

Ouvi uma conversa estranha no dia em que voltei de viagem, após um ano estudando na Europa. Meu pai falava ao telefone, na sala fechada, e por acaso eu passei perto. Ele comentava sobre uma moça, dizendo que tinha conseguido um cargo muito bom para ela, na faculdade, e que “ela teria que retribuir o favor, de uma forma ou de outra — mesmo sendo casada, não pode recusar”.

Não foi difícil descobrir de quem se tratava. Sou esperta, estou sempre um passo à frente, e tenho contatos em todos os lugares. Em poucas horas, já tinha todas as informações: Susana Hernandez, vinte e oito anos, casada com Arthur Hernandez — o babaca, é advogado particular do meu pai, o cachorro que faz tudo o que ele manda. Mas não me contento com pouco, só com o básico. Fiz uma investigação minuciosa, detalhada, como quem monta um quebra-cabeças. E para a minha surpresa, a história ficou muito mais interessante.

Descobri que a minha futura professora foi obrigada a se casar com aquele idiota, aos dezoito anos. Descobri também que, na adolescência, ela teve um relacionamento sério e amoroso com uma tal de Lívia Soares — o amor da sua vida, ao que tudo indica. Elas foram separadas à força pela família de Susana, que não aceitava a relação. Essa trama só fica cada vez melhor: cheia de segredos, dor e coisas escondidas.

Percebi que há algo muito mais forte e sombrio na separação das duas, algo que ninguém conta, que todos tentam ocultar. Amo um bom mistério, e vou adorar fazer o meu pai pagar por tudo o que me fez passar, usando cada detalhe que descobrir.

Não dei muita importância para a aparência da tal Susana, nem perdi tempo olhando fotos na internet. Beleza tem aos montes; o que vale é o que a pessoa traz por dentro, o que ela esconde, o quanto é desafiadora. Mas já fui atrás de tudo sobre Lívia: descobri onde ela mora, que está desempregada, passando dificuldades e sozinha no mundo. Já tenho o meu plano: vou trazê-la de volta para a cidade, dar um jeito de colocá-la bem perto de nós. Adoro um caos bem planejado.

E se essa tal Susana, como dizem as fofocas, se envolve com homens velhos e ricos em troca de dinheiro, favores ou empregos… vamos ver o que ela fará quando ficar frente a frente com o seu grande amor do passado, com a mulher que amou e que foi arrancada dos seus braços. Vamos separar a verdade da mentira.

continua...

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