O som da chuva contra as janelas parecia mais alto naquela noite.Helena Duarte ficou parada no meio da sala, segurando a pequena Luna nos braços enquanto observava o marido colocar roupas dentro de uma mala preta.Cada movimento de Ricardo era frio, Calculado. Como se estivesse apenas arrumando objetos antigos que já não tinham utilidade.Como se ela fosse uma dessas coisas.— Você vai mesmo fazer isso? — a voz dela saiu baixa, rouca, quase irreconhecível.Ricardo suspirou, irritado.Nem sequer olhou em sua direção.— Não começa, Helena.A resposta atravessou o peito dela como vidro.Luna, sonolenta, apertou a camiseta da mãe com os dedinhos pequenos, sentindo a tensão no ar. Helena beijou os cabelos cacheados da filha tentando esconder o tremor do próprio corpo.Não chora.Não na frente dele.Mas era impossível.Sete anos.Sete anos construindo uma vida ao lado daquele homem.Ela lembrava do pequeno apartamento onde começaram, do colchão velho no chão, das promessas sussurradas na
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