Helena tentou ser forte por onze dias. Onze dias fingindo que ainda conseguia respirar normalmente. Onze dias escondendo o choro de Luna. Onze dias lutando contra contas, silêncio e memórias. Onze dias sobrevivendo. Mas naquela manhã, ela finalmente quebrou. Tudo começou com o leite. Uma coisa simples. Ridiculamente simples. Helena abriu a geladeira ainda sonolenta, segurando Luna no colo, e encontrou apenas uma garrafa quase vazia. Ela inclinou o recipiente devagar. Duas gotas. Só isso. Seu coração afundou imediatamente. Luna apontou animada. — Leitinho! Helena forçou um sorriso automático. — Mamãe vai comprar, tá bem? Mas assim que falou, percebeu a própria mentira. Ela pegou a carteira sobre a bancada da cozinha e abriu rapidamente. Algumas moedas. Nenhuma nota. O cartão já havia sido recusado duas vezes naquela semana. O aluguel estava atrasado. A energia prestes a ser cortada. E agora ela não tinha dinheiro nem para leite. O desespero veio como uma onda
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