SamantaO pânico é um combustível silencioso. No instante em que a voz de Alessandro ecoou do outro lado da porta, meu corpo, que segundos antes era puro êxtase e calor, transformou-se em um bloco de gelo. A realidade me atingiu como um tapa físico, muito mais doloroso do que qualquer palavra cruel que Lorenzo já tivesse me lançado. Eu estava em cima da mesa do meu chefe, com a saia amassada e a dignidade estilhaçada no chão de mármore.Eu me joguei para fora da mesa, minhas pernas tremendo tanto que precisei me segurar no encosto de uma das cadeiras de couro para não cair. Meus olhos varreram o tapete persa desesperadamente, procurando o que restava da minha calcinha. Quando a encontrei, perto do pé da mesa de centro, um frio violento atravessou minha espinha: o tecido estava desfeito, um pedaço inútil de renda que Lorenzo havia arrancado com uma fúria que, agora, parecia um delírio febril.— Droga, droga, droga — sibilei, enfiando o resto do tecido na bolsa com as mãos trêmulas.Cor
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