Lorenzo Bellini Havia uma leveza no meu peito que eu não experimentava há anos, um tipo de ar que não parecia filtrado pelo sistema de ar-condicionado de última geração da SafeTech. Ter Sofia ao meu lado, caminhando pelo 40º andar, era como recuperar um pedaço da minha própria infância que eu julgava ter sido soterrado por relatórios financeiros e aquisições hostis. Sofia sempre foi o ponto de equilíbrio da nossa família. Amiga de infância, confidente e, há cinco anos, o grande amor do meu irmão mais velho, Alessandro. Eles viviam na Europa, construindo uma vida longe da sombra imponente de Giuseppe Bellini, mas o retorno deles ao Brasil não era motivo de celebração total. O motivo era o declínio da saúde do meu pai. Giuseppe, o homem que ergueu um império com mãos de ferro, estava sendo vencido por uma biologia que não aceitava suborno. — Você está mais bonito, Enzo — Sofia disse, usando o apelido que apenas os íntimos tinham permissão de pronunciar, enquanto cruzávamos o corredor
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