Cruzo os braços, a postura defensiva, mas a voz firme. — Vice-presidente.Ninguém ri dessa vez. O choque é palpável, a incredulidade estampada em cada rosto. O Juninho abre a boca, fecha, abre de novo, como se a palavra se recusasse a sair.— Vice-presidente — ele repete, a voz quase inaudível, como se a palavra tivesse um peso que ele ainda está aprendendo a segurar, um fardo que ele não esperava.Rodrigo passa a mão pelo rosto e solta uma risada curta, sem humor, mais espanto do que graça. — Três anos, Daniel. Você ficou três anos aqui.— Fiquei.— Tomando café ruim, consertando carro antigo, cheio de problema e dormindo num apartamento na zona norte?— Sim.O Rodrigo balança a cabeça devagar, o sorriso agora chegando devagar, real, um misto de admiração e incredulidade. — Você é o cara mais maluco que eu já conheci na vida.— Provavelmente.O galpão explode. Todo mundo fala ao mesmo tempo, as perguntas se atropelando, as risadas misturadas com o choque genuíno de quem está tentando
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