Sexta-feiraDanielO motor do meu Opala ronca suavemente enquanto me aproximo da oficina, um pouco antes das oito. O portão, como de costume, está entreaberto, um convite desleixado que só o Juninho, em sua eterna distração matinal, seria capaz de deixar. O cheiro. Ah, o cheiro da oficina. Uma sinfonia peculiar de óleo queimado, ferro gasto, e o amargor reconfortante do café velho, tudo isso misturado ao ar quente e úmido da manhã paulistana. É um aroma que, por três anos, foi o meu perfume, a minha identidade. Por alguns segundos, fico parado dentro do carro, a mão ainda no volante, os dedos apertando o couro já gasto, os olhos fixos no galpão que se tornou o meu santuário, o meu refúgio. Cada mancha de graxa no chão, cada ferramenta pendurada na parede, cada arranhão nas bancadas de trabalho, tudo conta uma história. A minha história, a versão de mim que eu escolhi ser.Não é que seja um grande segredo, a verdade sobre quem eu sou. Mas também não é exatamente uma conversa simples de
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