Dois dias depois, me mudei oficialmente para a mansão.Cheguei com uma mochila nas costas e duas sacolas reutilizáveis de mercado, uma em cada mão. Dona Carmem abriu a porta, olhou para o que eu trazia, olhou para mim e, com toda aquela delicadeza profissional, perguntou meio confusa:— Onde está o restante, senhorita?— O Arthur disse que eu não precisava trazer os móveis.Ela deu uma risada. Uma risada discreta e bem-educada, típica de quem achava que tinha escutado uma piada.Não era piada.Eu tinha mesmo perguntando o que faria com meu sofá e minha geladeira e ouvido de Arthur que eu podia vender, doar ou incendiar tudo, desde que não achasse que aquelas coisas dignas de um museu de horrores dos anos 70 iam entrar na casa dele.— Venha — ela disse, se recompondo. —Vou mostrar seu quarto.Eu conhecia o quarto. Tinha visto no primeiro dia, aquele cômodo parado no tempo com o berço e as roupinhas dobradas e o cheiro de espera. Mas o que Augusto tinha me dito que faria, ele tinha feit
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