Renata Eu percebi que estava sendo seguida quando parei de tentar convencer a mim mesma de que era paranoia.Na primeira vez, vi o mesmo carro preto parado na esquina da livraria. Vidros escuros, motor ligado, ninguém descendo. Na segunda, ele apareceu perto do meu prédio, com os faróis apagados, como um bicho agachado no escuro. Na terceira, eu estava voltando da farmácia com uma sacola de vitaminas na mão e senti aquele arrepio horrível na nuca.Virei rápido.Um homem do outro lado da rua fingiu olhar uma vitrine fechada.Mas eu sabia.Ele estava me olhando.Meu coração disparou.Apertei a sacola contra o peito e continuei andando, tentando não parecer assustada. Era difícil. Meu corpo inteiro gritava para correr, mas minha cabeça repetia: não corre, Renata. Mulher grávida correndo na rua chama atenção. Respira. Anda.A cada passo, eu sentia a presença dele atrás de mim. O som distante de uma moto. A buzina de um carro. A chuva fina começando a cair de novo, grudando o vestido nas
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