No horário marcado, Helena deixou o quarto já pronta. Eduardo a aguardava na sala, um copo na mão, a postura rígida de quem parecia ter ensaiado a própria indiferença. Ao vê-la, não disse nada, mas o olhar dele a seguiu em silêncio enquanto ela descia as escadas.Naquela noite, Helena escolheu um vestido preto: simples, elegante, que realçava sua delicadeza sem esforço. Os cabelos presos em um coque baixo, com algumas mechas soltas suavizando o rosto, e a maquiagem leve completavam uma beleza discreta, mas impossível de ignorar.— Vamos. — A voz dele saiu fria, distante, tão fria quanto sua expressão.Helena não respondeu. Apenas passou por ele.Do lado de fora, Nelson já os aguardava. No instante em que se aproximaram do carro, Eduardo, para manter as aparências, pousou a mão de forma suave na parte baixa das costas dela, como se a conduzisse. O gesto foi breve, quase mecânico, mas o calor do toque atravessou o tecido do vestido e a fez estremecer por dentro, despertando uma sensação
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