A Fome Ensina PrioridadesO dia amanhece cinza, como se o céu tivesse esquecido de acender a própria luz. O vento sopra sujo, arrastando poeira, embalagens, folhas secas, e um cansaço que parece maior do que Helena consegue carregar. Davi dorme no colo dela, a cabeça pesada em seu ombro, o corpo pequeno e quente encolhido contra o peito dela como se quisesse desaparecer do mundo.A fome dói. Não é só um aperto no estômago é uma sombra que empurra seus pensamentos para longe, que ameaça engolir raciocínio, esperança e até o pouco de coragem que ainda resta.Helena respira fundo.— A gente vai conseguir, Davi eu prometo.Mas a voz sai mais baixa do que o vento.O menino mexe os dedos, a testa franzida como se sonhasse algo urgente. Helena ajeita o casaco, um casaco que nem é dela, apenas um que ela achou largado perto de uma caçamba, e se levanta, sentindo as pernas tremerem.O bairro ainda está acordando. Restaurantes abrindo porta, padarias começando a assar os primeiros pães, f
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