O soco não veio.O olhar de Eros encontrou o do sobrinho antes do impacto.Não havia surpresa nos olhos glaciais de Eros. Nem medo, apenas advertência. Fria, antiga e autoritária.O tipo de olhar que Lucas conhecia desde a adolescência, desde as primeiras brigas, desde as primeiras noites em que Eros precisou arrancá-lo de confusões que poderiam ter virado manchetes, processos ou tragédias.— Lembre-se do que eu ensinei a você — disse Eros, baixo demais para ser um grito, firme demais para ser ignorado.Lucas parou.O punho continuou erguido por um segundo inteiro, suspenso entre o impulso e a obediência, entre a raiva e a memória de todos os anos em que aquele homem diante dele foi mais do que tio, mais do que chefe de família, mais do que guardião. Então soltou Eros com um empurrão brusco e virou-se para a parede de mármore.O primeiro soco atingiu a pedra com um impacto seco. Depois outro, e outro.E outro.— Filho da puta! — Lucas rosnou, a voz quebrada, quase irreconhecível. — Fi
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