Arthur Strauss O céu de São Paulo amanheceu em um tom de cinza doentio, o tipo de tempestade que parece querer lavar a cidade, mas que na verdade apenas espalha o lodo. Três dias. Setenta e duas horas. Um tempo que, na contagem de uma vida, não deveria significar nada, mas que, na minha espera, tornou-se uma eternidade de silêncio absoluto.Arthur Strauss não veio. Não havia uma mensagem, um telefonema apressado, nem mesmo um desses gestos grandiosos e autoritários que ele tanto gostava de usar para marcar território. O homem que estivera na minha sala, na minha casa, na minha frente — aquele homem cuja voz ainda ecoava em meus ouvidos, prometendo que ele não permitiria que nada nos destruísse —, parecia ter evaporado.Onde estava a fúria? Onde estava o homem que lutaria contra a própria fundação para garantir que eu estivesse segura?Sentei-me na poltrona ao lado da cama da minha mãe, observando a chuva bater contra o vidro. Ela dormia, um sono tranquilo, alheia ao colapso do meu m
Leer más