Maya Nogueira O ar do Caribe, carregado de sal e da doçura das flores tropicais, parecia ter mudado a química das minhas células. Em São Paulo, o tempo era medido por batimentos cardíacos, níveis de saturação e o tique-taque incessante do relógio de ponto no hospital. Aqui, o tempo era medido pelo brilho do sol e pela cadência do mar. E, curiosamente, nós dois parecíamos ter nos esquecido completamente da existência da vida que nos esperava ao norte. Não falávamos sobre o conselho, nem sobre a ameaça do pai de Arthur, nem sobre Eduardo ou a psicologia de Carolina. Vivíamos em um vácuo glorioso, onde o único futuro que importava era o plano para a próxima hora. E hoje, o plano era uma festa típica, um festival de ritmos que Arthur insistia, com um brilho quase juvenil nos olhos, que ele dominava. — Você está me dizendo que o homem que passou a última década com um bisturi na mão, entre plantões e cirurgias de emergência, tem habilidades rítmicas? — perguntei, enquanto terminava d
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