Maya Nogueira O paraíso, como conceito, sempre me pareceu uma abstração distante, algo reservado para folhetos de agências de viagem ou para aqueles momentos de exaustão em que fechamos os olhos no final de um turno de doze horas. Mas, ao pisar no resort, no Caribe, a abstração tornou-se tangível. O ar era espesso com o cheiro de sal e jasmim, e a luz do sol — aquele sol implacável e generoso — parecia polir cada superfície como se fosse uma joia preciosa.E, no centro de tudo, estava Arthur.Não o Arthur Strauss de jaleco branco, cujos movimentos eram calculados pela precisão de um bisturi. Nem o Arthur Strauss que carregava o peso da Fundação e a amargura de uma linhagem sufocante. Este era um homem que eu mal reconhecia, e que, simultaneamente, eu sentia que esperara a vida inteira para conhecer.Ele estava usando uma camisa de linho branco, os botões abertos até a metade do peito, e um short de banho em tom de areia. Os cabelos, antes esculpidos em uma linha perfeita, estavam le
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