Arthur Strauss O cheiro de peixe fresco e gengibre preenchia a sala de estar, um contraste bem-vindo ao odor de macarrão queimado que, minutos antes, pairava sobre a cozinha como um monumento ao meu fracasso culinário — ou melhor, ao nosso, já que Maya, a mulher que eu tinha acabado de domar na cama, não se saiu muito melhor com as panelas do que eu com a paciência.Eu servia o vinho, um tinto encorpado que parecia combinar com a calmaria que finalmente se instalara após a tempestade de suor e entrega de horas atrás. Maya estava sentada no sofá, uma visão que ainda me causava um estranhamento fascinante: ela, vestida com algo que claramente tinha pego no meu closet, ocupando o meu espaço, fazendo as minhas regras, desfazendo a minha solidão.O telefone tocou. O som, estridente e intrusivo, quebrou a paz que tínhamos construído.Maya saltou do sofá como se tivesse sido atingida por um choque elétrico. "É minha mãe", ela disse, o pânico estampado em cada traço do seu rosto, a culpa de
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