Maya Nogueira
O despertador biológico do meu corpo me trouxe de volta à realidade não com o estalo seco de um alarme, mas com a percepção lenta de que eu não estava no meu quarto, nem em nenhum lugar que eu pudesse chamar de "meu". Eu estava envolta no perfume de Arthur — uma mistura inebriante de sândalo, couro e algo inequivocamente clínico, porém masculino.
A luz da tarde filtrava-se pelas cortinas de linho pesado, desenhando listras de ouro sobre os lençóis de um preto tão profundo que par