Arthur Strauss O suor ainda brilhava na minha testa, o cheiro de borracha e antisséptico da sala de fisioterapia parecia impregnado na minha pele, e o eco das palavras de Gregory ainda zumbia nos meus ouvidos. Mas, naquele instante, o único som que importava era a respiração calma de Maya, que me observava de pé, a poucos passos da mesa de reabilitação.Ela estava atenta a cada microgesto meu, como se estivesse decodificando um mapa que só ela conseguia ler. Nas últimas semanas, enquanto eu tentava destruir tudo ao meu redor com berros e autocomiseração, ela havia construído uma trincheira intransponível de presença. E quando o Lucas terminou a sessão, arrumou as faixas elásticas e se afastou discretamente, a realidade despencou sobre mim com a força de uma bigorna.Eu precisava reagir.Não dava mais para me esconder atrás do meu próprio rancor, nem fingir que o mundo tinha parado de girar só porque a minha vida havia sido reduzida a escombros. A decisão sobre o futuro do hospital,
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