Maya Nogueira O trajeto de táxi até em casa foi feito em um torpor quase alucinógeno. As ruas de São Paulo passavam pela janela do carro como borrões cinzentos sob o céu nublado da tarde. Eu estava mecanizada. Minha mente, no entanto, continuava inteira naquele quarto de hospital, orbitando em torno daquele homem orgulhoso e quebrado.Quando destranquei a porta de casa, fui recebida por um silêncio aconchegante que, ironicamente, me pareceu estranho. O cheiro de café fresco e o aroma suave de sopa de legumes denunciavam a presença da Bia.Assim que me viu na porta, Bia largou o pano de prato que segurava e veio direto na minha direção, abrindo os braços com uma expressão de pura piedade. Eu desabei. No segundo em que encostei o rosto no ombro dela, todas as barreiras que eu havia mantido erguidas nos últimos sete dias simplesmente ruíram. Chorei copiosamente, um choro feio, engasgado, que vinha lá do fundo do estômago, lavando toda a exaustão acumulada.— Shh... calma, minha amiga,
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