POV: MARI Quinta-feira, na boutique, Tati chegou com um bolo. Não era aniversário de ninguém. Não era sexta, que seria o dia mais óbvio pra esse tipo de coisa. Era quinta, meio da semana, e ela entrou com uma caixa de papelão branca da confeitaria da rua de baixo e colocou em cima da mesa de reunião sem explicar nada. — Bolo de chocolate com brigadeiro — ela disse. — Porque sim. Porque sim era o jeito de Tati dizer: você fez uma coisa grande e eu não vou deixar isso passar como se fosse só mais uma quinta-feira. Eu ri pelo nariz e fui buscar pratos. Quando voltei, ela já tinha aberto a caixa e cortado o primeiro pedaço com a naturalidade de quem conhece a própria missão. O bolo estava úmido, pesado na medida certa, com aquela cobertura de brigadeiro que gruda na faca e faz você repensar qualquer pretensão de vida organizada. Comi dois pedaços. Tati comeu três. A boutique estava em modo raro. Sem urgência. Sem telefone tocando em sequência. Sem reunião atravessando o dia. Tati f
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