Capítulo 7

Chegando no ponto de ônibus fico observando as horas em meu relógio, caso esteja certa, o ônibus para casa de Lenna chega em três minutos. Lenna mora do outro lado da cidade, ao lado oposto, é um trajeto um pouco demorado, mas sempre que posso, a visito. E claro, ela aparece constantemente para provar os quitutes de dona Suelen e conversar comigo. Somos uma parceria, uma não vive sem a outra, uma só fica feliz se a outra estiver. Eu não sei o que seria de mim sem a minha querida amiga.

Enquanto penso em nossa amizade vejo que o ônibus está surgindo no final da rua. Me preparo para subir no ônibus, mas estava lotado, decido ir a pé até um ponto de ônibus mais próximo.

Depois de cinco minutos chego ao ponto de ônibus perto da escola, era estranho aquele lugar estar vazio, na minha memória sempre haviam estudantes indo e vindo naquela parada, as marcas na placa com caneta me davam lembranças, gravei minhas iniciais e a de Lenna em algum lugar entre o turbilhão de desenhos de pintos e palavrões.

O transporte finalmente chega e abre suas portas, um senhorzinho me cumprimenta e eu vou até o final do corredor metálico, sento-me perto da janela. Desta vez o ônibus está vazio, exceto pelo  motorista e eu.

Coloco meus airpods e ponho minha banda favorita, Belle & Sebastian. Me concentro na letra da canção e me deixo levar para outro universo, enquanto o veículo se move pelas ruas de Sterling.

Finalmente sinto o ônibus parar, indicando que tinha chegado ao meu destino. Ando mais duas intercessões e chego à casa de Lenna, que já foi abrindo a porta sem mesmo eu bater.

— Sabia que você chegaria agora. — disse minha amiga.

— Então você ficou mesmo olhando a porta. — dou risada e balança a cabeça em reprovação.

— Claro que não, bobona. Agora entra logo, você já demorou demais. — Ela diz fechado a cara.

— A culpa não é minha você morar no fim do mundo. — rebato.

Depois de me fazer uma careta, finalmente adentro a casa. Nos abraçamos apesar de toda bobagem de antes, me conforta poder enfim sentir o calor desse abraço após saber da notícia da Crestwood.

— Seus pais estão em casa? Estou com saudade deles. — pergunto. Lenna aprendeu o que significa "saudade" comigo, às vezes ela prefere a expressão do que "Miss you", segundo ela é mais carinhoso e impactante, “saudade” para nós duas é muito mais do que apenas sentir falta. É aquela sensação de vazio que só é preenchida quando estamos juntas.

— Eles saíram cedo, mas disseram que estavam com saudades de você também. Minha mãe falou que vai preparar aquele bolo de cenoura que você ama, só para te mimar — Lenna diz, tentando me animar.

Dou uma risada, já sentindo o aroma do bolo no ar.

— Vou ter que voltar aqui então, não posso perder essa — brinco.

— Nem pensa em faltar, senão minha mãe me mata. — Lenna responde, piscando o olho.

— Juro de dedinho. — ergo um dedo para ela e ela faz o mesmo, cruzamos os dedos e levantamos as mãos.

— Eu não acredito que a gente ainda faz isso depois de 7 anos. — Lenna ri e eu faço o mesmo, descruzando nossos dedos. Fazíamos promessas de dedinho desde que nos conhecemos. A primeira vez que ela me viu eu estava sofrendo bullying, ela disse que seria minha amiga e iria me proteger, na época eu não acreditava, mas Lenna me prometeu que eu não estaria mais sozinha dali para frente, e foi assim que começou o ritual do dedinho. Pode parecer bobo, mas para nós duas...é a coisa mais séria do mundo.

— Poisé, alguns hábitos nunca mudam, mesmo que a gente cresça.

— Bom, deixando os velhos tempos de lado, vamos falar do que importa, como foi a conversa com seus pais? — Lenna pergunta enquanto me guia até o sofá.

Sento-me ao lado dela e dou um suspiro.

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