O galpão estava mergulhado numa luz azulada, vinda dos quatro monitores que Bia V. mantinha ligados. No centro da mesa de jantar, a caneta de ouro de Ricardo parecia um artefacto antigo, carregado de uma energia sinistra. Gabriel, com o braço enfaixado e o rosto limpo da fuligem do duto, observava Helena enquanto ela inseria a pequena ponta USB escondida no corpo da caneta no computador encriptado. — Estás pronta? — perguntou Gabriel, a voz baixa. — Assim que entrarmos nesse servidor em Genebra, não haverá forma de fingirmos que não sabemos o que está lá dentro. — Eu já perdi tudo o que podia perder, Gabriel — Helena respondeu, premindo a tecla Enter. — Agora, só quero a minha liberdade. O ecrã piscou e uma interface minimalista do banco Stein & Co. surgiu. Após uma série de protocolos de segurança, o saldo da conta "Helena’s Legacy" foi revelado. Bia soltou um suspiro audível. — Doze milhões de euros — leu Bia, com a voz a falhar. — Helena... isso não é apenas o dinheiro do
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