O som metálico das ferramentas de Gabriel sendo jogadas na caçamba da caminhonete do lado de fora ecoou como uma sentença final nos ouvidos de Helena. Ela permaneceu estática diante da mesa de luz, a palma da mão ainda pressionando o cheque de Lovatelli contra o papel vegetal. O silêncio que se seguiu à partida dele era denso, pesado, um tipo de vácuo que parecia sugar todo o oxigênio do galpão.— Inacreditável — murmurou Helena para as paredes vazias. Suas mãos tremiam, não de medo, mas de uma indignação que subia por sua garganta como bile.Ela olhou para Bia V., que ainda estava parada perto da escada do mezanino, observando-a com uma mistura de pena e reconhecimento.— Ele diz que me ama, Bia. Ele diz que me admira. Mas, na primeira vez que eu tomo uma decisão executiva difícil, uma decisão que visa proteger seres humanos reais e não apenas fantasmas do passado, ele vira as costas? Ele me julga do alto de sua "superioridade moral" enquanto eu estou aqui, sangrando para manter e
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