O carro diminuiu a velocidade antes mesmo de virar a esquina, e Maya percebeu antes de ver. Havia uma movimentação diferente no ar, mais concentrada, quase elétrica, como se o espaço à frente estivesse carregado de expectativa. Quando o restaurante finalmente apareceu, iluminado demais para um início de noite que ainda não tinha escurecido por completo, o motivo se revelou sem esforço: gente demais na calçada.Não eram clientes. Não exatamente.Fotógrafos se posicionavam com precisão, câmeras erguidas, corpos inclinados para frente, atentos a qualquer sinal de movimento. Esperando.— Respira — Gabriel disse, baixo, sem tirar os olhos da frente.Maya soltou o ar devagar, mas não respondeu. O carro parou, e, como se alguém tivesse dado um sinal invisível, tudo reagiu ao mesmo tempo. Câmeras foram levantadas, vozes se sobrepuseram, passos se aproximaram. O nome dele veio primeiro, sempre vinha e, logo depois, o dela, ainda estranho, ainda deslocado naquele contexto.— Gabriel! —
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