Sai de lá com uma firmeza que eu não sentia por dentro. Minhas mãos ainda tremiam, não de medo, mas de uma exaustão que parecia vir de séculos. Ver o Ricardo ali, parado no meio daquela sala que deveria ser o nosso recomeço, foi como ver um castelo de areia ser levado pela maré. No elevador, olhei para o Henry. Ele segurava a minha mão com força, os olhinhos inchados de sono, mas com uma expectativa que me partia o coração. Eu não quero que ele saiba disso, não quero que ele sonhe que toda a vida que ele conhecia estava em cordas bambas, mas já era tarde. O que eu podia fazer era tentar, de alguma forma deixar confortável. No carro, enquanto colocava o cinto nele, forcei o melhor sorriso que consegui projetar. — O apartamento do papai é legal, né, filho? perguntei, acariciando o rosto dele. — Ele está se esforçando muito para deixar tudo bonito para você. — Você gostou também, mamãe? ele perguntou, com aquela esperança pura que só as crianças têm. — Gost
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