CLARISSE O saguão da delegacia, que antes parecia o palco do meu triunfo, subitamente se tornou o cenário da minha ruína. Eu assisti, em choque paralisado, o Ricardo segurar a mão da Paloma com uma força que eu nunca recebi. Ele não podia fazer isso, ele me usou! Desgraçado me usou, me levou pra cama.— Ricardo! tentei gritar, mas a voz morreu na garganta quando ele sequer olhou para trás. Ele a colocou no carro como se ela fosse o tesouro mais precioso do mundo, fez a volta e acelerou, deixando apenas o rastro de fumaça e o meu ódio queimando no asfalto.Me virei para a dona Sueli, esperando o apoio de sempre, mas encontrei um olhar de dúvida que me gelou a espinha.— Maik... Sueli começou, a voz trêmula. — O que foi aquilo que você disse? Sobre a bolsa? O que você sabe que não nos contou?Maik deu um passo à frente, cruzando os braços. O rosto dele, que antes era neutro, agora exalava desprezo por mim.— O que eu sei, dona Sueli, é que a Clarisse nunca jogou limpo. A senhora
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