A luz da manhã entra devagar pelas cortinas, suave, dourada, quase tímida, como se respeitasse o silêncio daquele quarto depois de uma noite tão intensa. Eu me mexo levemente na cama, ainda envolvida naquele estado entre sonho e realidade. O lençol desliza pela minha pele enquanto viro o rosto, sentindo o cheiro dele ainda ali, próximo, presente. Mas o lado da cama está vazio. Abro os olhos devagar, piscando algumas vezes, ainda tentando me situar… até que escuto o som da porta se abrindo. Viro o rosto. E paro. Ares entra no quarto com uma bandeja nas mãos. Café da manhã. Simples. Mas o jeito que ele está ali… Descalço. Cabelo levemente bagunçado. Camisa aberta no peito. E aquele olhar… Calmo. Quente. Fixo em mim. Meu coração acelera na hora. — Bom dia. — ele diz, a voz baixa, quase rouca. Eu me apoio nos cotovelos, puxando o lençol um pouco mais para mim, ainda meio sem reação. — Você… fez isso? — pergunto, olhando a bandeja. Ele dá de ombros, aproximando-se. —
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