O corpo humano é um traidor silencioso.Passei a vida inteira ensinando o meu a obedecer antes de sentir, a reagir antes de desejar, a matar antes de hesitar. Ainda assim, naquela noite, deitado na mesma cama que Caterina sem realmente deitar ao lado dela, eu precisei de cada grama de disciplina que tinha para não atravessar a linha invisível que nos separava.Ela dormia.O sono dela não era frágil. Era profundo, pesado, como o de alguém que finalmente abaixa a guarda depois de muito tempo fingindo que não precisava. A respiração lenta, o corpo virado levemente na minha direção, como se me reconhecesse mesmo inconsciente.Eu fiquei imóvel.Não porque tivesse medo do que poderia acontecer se a tocasse. Mas porque sabia exatamente o que aconteceria.E não era a hora.Mantive um braço estendido sobre o lençol, não encostando nela, mas criando um limite físico. Uma fronteira simbólica. Meu trabalho naquela noite não era ser marido, amante ou consolo. Era ser sentinela.Passei horas acorda
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