A cúpula sempre foi um teatro mal iluminado.Homens velhos fingindo estabilidade, fingindo respeito, fingindo que o mundo ainda obedecia às regras que eles escreveram quando tinham dentes melhores e menos inimigos. A sala no topo do prédio estava cheia daquele silêncio falso, onde ninguém fala demais porque todos estão calculando quem morre primeiro se algo der errado.Eu me sentei na cabeceira.Caterina à minha direita.Não como ornamento.Como aviso.Ela estava calma demais. Costas eretas. Olhar atento. O tipo de calma que só quem já sobreviveu a coisa pior consegue sustentar. Alguns desviavam os olhos. Outros a encaravam como se estivessem avaliando um problema que ainda não sabiam resolver.Foi Vittorio Mancini quem abriu a boca.Claro que foi.Antigo. Rico. Criado numa época em que mulheres eram heranças ou moedas. Aquele tipo que confunde tempo de vida com autoridade.— Antes de discutirmos rotas e represálias — disse ele, limpando a garganta — precisamos falar sobre a instabili
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