Cinco anos depois....A rotina começava sempre antes do sol. Acordava, preparava o café, acordava Alana, ajudava com o uniforme da escola, arrumava o cabelo cacheado em dois coques, passava protetor, conferia a mochila, e corria para o escritório. Cinco anos. Todos os dias. A mesma correria. Eu não trocava por nada.— Mamãe, a Duda falou que eu não sei desenhar coração direito — Alana disse, a boca cheia de cereal.— E você sabe?— Sei. O meu é diferente.— Diferente é melhor.Ela pensou por um segundo, mastigando devagar. Depois sorriu mostrando a falta dos dentes da frente.— É. Diferente é melhor.Alana tinha quatro anos, faria cinco em dezembro. Olhos claros, cabelos castanho-escuros, e uma teimosia que eu só podia ter herdado do pai. O pai que ela nunca conheceu. O pai que eu deixei para trás quando fugi de São Paulo sem aviso, sem bilhete, sem nada. Só a barriga de três meses e o endereço de Meg.— Vamos, anjo. A tia Meg já deve estar bufando no escritório.O escritório ficava a
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