A porta se abriu sem cuidado e Gabriel entrou no apartamento com a mesma postura despreocupada de sempre, largando as chaves sobre a mesa enquanto caminhava para dentro, passando a mão pelo cabelo como quem retorna de algo mais interessante do que qualquer coisa que pudesse encontrar ali. Ele chamou o nome de Celina quase por reflexo, sem elevar o tom, esperando alguma resposta automática que nunca veio, e o silêncio que se formou em seguida não teve nada de comum, não era ausência momentânea, era um vazio limpo demais, organizado demais, como se tudo tivesse sido deixado daquele jeito com intenção.Ele parou por um instante, escutando melhor, mas não havia nenhum movimento, nenhum som vindo de outro cômodo, e isso fez com que continuasse andando, agora prestando mais atenção no ambiente ao redor, reparando na sala intacta, nos objetos alinhados, na ausência de qualquer sinal de presença recente. Não havia bagunça, não havia pressa, não havia nada que indicasse que alguém tinha saído
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