Cecília acordou devagar, como se o próprio corpo estivesse se permitindo, pela primeira vez em muito tempo, descansar sem resistência, sem alerta, sem aquela sensação constante de que algo poderia dar errado a qualquer momento. A luz da manhã atravessava as cortinas com suavidade, espalhando pelo quarto uma claridade leve que não incomodava, apenas aquecia o ambiente de forma natural, criando uma atmosfera tranquila que contrastava completamente com tudo o que ela tinha vivido nos últimos dias. Por alguns segundos, ela permaneceu imóvel, os olhos ainda semicerrados, a respiração calma, sentindo o próprio corpo responder de forma diferente, mais solta, mais leve, como se a tensão que sempre a acompanhava tivesse, enfim, diminuído.Ela não tinha pressa para levantar, nem vontade de pensar, nem necessidade de se preparar para enfrentar nada, e aquilo era estranho, porque não fazia parte da realidade que conhecia, mas, ao mesmo tempo, era confortável o suficiente para que ela não quisesse
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