O telefone tocou quando Gabriel ainda estava sentado no sofá, o corpo largado de qualquer forma, os olhos fixos em um ponto inexistente como se estivesse tentando enxergar algo que já não estava ali há tempo demais. O apartamento permanecia silencioso, mas não era um silêncio tranquilo, era pesado, carregado de uma tensão que não diminuía, que parecia crescer quanto mais o tempo passava sem que nada acontecesse. Ele não tinha trocado de roupa, não tinha comido, não tinha sequer tentado dormir;