Cecília acordou devagar, como se o próprio corpo estivesse testando o ambiente antes de decidir se podia voltar completamente para a consciência. Durante alguns segundos permaneceu imóvel, os olhos ainda fechados, presa naquele estado indefinido entre o sono e a realidade, onde o cérebro tenta entender se o perigo passou ou se ainda está escondido em algum canto. O silêncio foi a primeira coisa que ela percebeu. Um silêncio verdadeiro, profundo, sem passos no corredor, sem portas sendo abertas abruptamente, sem vozes atravessando paredes, sem tensão antecipando ameaça. Ela respirou fundo, e mesmo assim o peito doeu como se ainda estivesse preparado para reagir.Quando finalmente abriu os olhos, a luz suave da manhã já preenchia o quarto através das janelas altas da mansão. O lençol macio sobre a pele, o cheiro limpo do ambiente, o ar na temperatura exata, tudo contrastava violentamente com o que ela tinha vivido nos últimos dias. O quarto parecia intocado pelo caos, quase injustamente
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