No dia seguinte, às sete e trinta e cinco, a campainha da minha ala tocou. O som cortou o silêncio do meu quarto como uma lâmina.Abri a porta. Riccardo estava ali, de camisa escura e calça, sem terno, sem gravata, sem segurança à vista. Ele cumpriu. Veio sozinho. Sem escolta, sem aviso prévio, sem tentar controlar o cenário.— Pronta? — perguntou. A voz saiu baixa, quase casual, mas os olhos se entregavam. Havia tensão ali.— Sim — respondi, e vi o brilho rápido nos olhos dele antes que ele escondesse atrás daquela máscara neutra que ele usa tão bem.Fomos no carro dele. Ele, dirigindo desta vez. Eu, no passageiro, olhando a paisagem. Um palmo de distância no console separando nossos braços, mas o mesmo espaço fechado. O silêncio entre nós não era pesado. Era uma escolha. Era trégua. Uma trégua gostosa.Ele não ligou o rádio. Eu não pedi. A cidade passou pela janela em tons de cinza e luz amarela dos postes. Meus dedos tamborilam de leve no joelho. Nervosismo. Expectativa. Medo.Tud
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