Voltamos para o quarto e Beatrice já está de joelhos na cama, empurrando os recortes de novo para me mostrar melhor. O prato do jantar ainda está quente na boca, mas o que me prende agora é o brilho no rosto dela.— Olha esse aqui de novo — diz, e aponta para o escultor de Belo Horizonte.Eu me sento na beira da cama, perto o bastante pra ver os detalhes, longe o bastante pra não invadir.— O trabalho é bom — digo, e pego a revista. — Mas pensa no fluxo. Se você colocar uma peça grande na entrada, o visitante para ali e não anda. Que tal usar a instalação de luz que você falou, na entrada, e deixar esse aqui pro fundo, onde a pessoa já está imersa?Beatrice franze a testa, olha de novo, e depois assentiu devagar.— Faz sentido — responde. — A luz puxa, a escultura segura.— Exato — digo, e sinto um prazer bobo em acertar.Ela pega outro recorte, um pintor novo de Nápoles, e me entrega. Eu analiso, pergunto sobre o tema, sobre o preço, sobre a logística. Ela responde, anota na margem,
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