O silêncio que se seguiu foi denso, pesado como o ar antes de um dilúvio. O copo de uísque na mão dele balançou de leve, o gelo estalando contra o vidro. Os olhos de Riccardo desceram para os meus lábios, demorando-se ali com uma fome que ele tenta soterrar há semanas, antes de subirem novamente para encontrar os meus. Ele não recuou. Se a minha intenção era acuá-lo, eu havia subestimado o homem que ele é.— Você está brincando com fogo, Beatrice — ele disse. A voz não passou de um sussurro rouco, mas a vibração ecoou diretamente no meu peito. — Eu sei brincar, Riccardo. Você mesmo me ensinou.Ele deu um longo gole no uísque, sem desviar o olhar do meu por um único segundo. Em seguida, colocou o copo na mesa de canto ao lado da porta com uma lentidão deliberada. Quando se voltou para mim, a camisa branca semiaberta revelava a linha tensa do seu pescoço, o pomo de Adão subindo e descendo.Ele deu meio passo. O meio palmo que nos separava simplesmente desapareceu.Nossos corpos não
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