O restante da tarde se arrasta, um borrão de pensamentos e goles. Helena, com sua discrição habitual, me traz um café forte no escritório, mas não pergunta nada. Apenas um olhar, um gesto silencioso de compreensão que, de alguma forma, me irrita ainda mais. Não quero compreensão, quero respostas. Quero que a raiva seja simples, pura, sem essa maldita complicação de sentimentos que me assola.Ao entardecer, Lívia acorda. Ouço seus passos leves no corredor, e meu corpo enrijece. Ela surge no corredor, e a vejo pela fresta da porta do escritório. A luz do pôr do sol inunda a sala, e ela parece uma pintura, etérea, quase irreal. Há um chá quente na mesa de centro, e Helena a convida a se sentar. A conversa é leve, sobre o dia, sobre pequenas coisas. Eu a observo, escondido, tentando decifrar os pensamentos dela, a dor que ainda a acompanha. Sinto-me dividido, entre a mágoa e o desejo incontrolável de protegê-la. É uma tortura.À noite, Helena prepara um jantar simples, mas nutritivo. O ch
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