Heloísa A sexta-feira amanhece com a promessa de um fim de semana de descanso, mas antes, há muito trabalho a ser feito. Na "Maré Alta", a energia é contagiante. Clientes entram e saem, elogiando a nova coleção, suas vozes um coro de aprovação que me enche de orgulho. Sinto um orgulho imenso do que construí, do que estou construindo. É o meu legado, a minha marca, a minha voz no mundo. E Heitor não tem nada a ver com isso. Mas o movimento ainda não é o ideal, os números ainda não batem. A conversa com o pai de Lara é inevitável, uma necessidade que se impõe. Durante o dia, vejo Heitor algumas vezes, sempre à distância. Ele está ocupado na galeria, recebendo entregas, conversando com clientes, imerso em seu próprio universo. Nossos olhares se cruzam uma ou duas vezes, mas são apenas flashes, sem a intensidade de antes, sem a carga emocional que costumava nos prender. Ele parece focado em seu próprio mundo, e eu no meu. É um alívio. A distância é saudável. A indiferença, libertadora.
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